Espírito de Profecia

Biografia de Ellen G. White

Quem foi Ellen Gould White e por que milhões de pessoas consideram seus escritos de especial valor e significado?

Ellen White teve cerca de 2 mil sonhos e visões de Deus

Ellen White teve cerca de 2 mil sonhos e visões de Deus

Ellen G. White foi uma pessoa de notáveis talentos espirituais, que viveu a maior parte de sua vida durante o século 19 (1827-1915). Contudo, através de seus escritos, ela continua exercendo um extraordinário impacto sobre milhões de indivíduos ao redor do mundo.
Durante toda a sua vida ela escreveu mais de 5.000 artigos e 49 livros; mas hoje, incluindo compilações de seus manuscritos, mais de 150 livros estão disponíveis em inglês, e cerca de 90 em português. Ellen G. White é a escritora mais traduzida em toda a história da literatura. Seus escritos abrangem uma ampla variedade de tópicos, incluindo religião, educação, saúde, relações sociais, evangelismo, profecias, trabalho de publicações, nutrição e administração. Sua obra-prima sobre o viver cristão feliz, Caminho a Cristo, já foi publicada em cerca de 150 idiomas.

ellen-g-white-profetizaOs Adventistas do Sétimo Dia creem que Ellen White foi muito mais que apenas uma escritora talentosa – creem que ela foi apontada por Deus para ser uma mensageira especial, a fim de atrair a atenção de todos para as Sagradas Escrituras, e ajudá-los a se prepararem para a segunda vinda de Cristo. Desde os 17 anos de idade até a ocasião de seu falecimento aos 87 anos, Deus lhe concedeu cerca de 2000 sonhos e visões. As visões variavam em duração, podendo ser de menos de um minuto até cerca de quatro horas. O conhecimento e conselhos recebidos através dessas revelações foram por ela escritos, a fim de serem compartilhados com outros. Assim, seus escritos são aceitos pelos Adventistas do Sétimo Dia como inspirados, e a qualidade excepcional dessas obras é reconhecida mesmo por leitores ocasionais.

Os livros de Ellen White auxiliam na compreensão da Bíblia.

 Como nos é declarado no livro Nisto Cremos “Os escritos de Ellen White não constituem um substituto para a Bíblia. Não podem ser colocados no mesmo nível. As Escrituras Sagradas ocupam posição única, pois são o único padrão pelo qual os seus escritos – ou quaisquer outros – devem ser julgados e ao qual devem estar subordinados” (Nisto Cremos, Associação Ministerial, Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1989, p. 305).

Contudo, conforme escreveu Ellen White, “O fato de que Deus revelou Sua vontade aos homens por meio de Sua Palavra, não tornou desnecessária a contínua presença e direção do Espírito Santo. Ao contrário, o Espírito foi prometido por nosso Salvador para aclarar a Palavra a Seus servos, para iluminar e aplicar os seus ensinos” (O Grande Conflito, p. 9).

 A biografia a seguir é um relato mais detalhado da vida e obra dessa extraordinária mulher, a qual, passando por todos os testes de um verdadeiro profeta, conforme apontados pelas Sagradas Escrituras, ajudou no estabelecimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Os primeiros anos

A 26 de novembro de 1827 nasceram duas meninas gêmeas à casa de Roberto e Eunice Harmon. Ellen e Elisabete foram os nomes dados a essas meninas. A pequena fazenda da colina (agora conhecida como “Fort Hill Farm”), ficava perto da vila de Gorham, Maine, cerca de dezenove quilômetros a leste de Portland, Maine, no nordeste dos Estados Unidos. Visto haver oito filhos na família Harmon, podemos ter certeza de que a casa era um lugar interessante e movimentado. Poucos anos depois do nascimento das gêmeas, contudo, Roberto Harmon abandonou o trabalho da fazenda e se mudou para a cidade de Portland onde se dedicou a negócios.

Durante a infância, a ativa e alegre Ellen ajudava no trabalho de casa e auxiliava o pai na manufatura de chapéus. Com nove anos de idade, uma tarde ao voltar da escola para casa, foi ferida por uma pedra que a colega de classe lhe atirou. Esse acidente quase lhe custou a vida.

Ficou inconsciente durante três semanas, e nos anos seguintes sofreu grandemente como resultado do sério ferimento no nariz. Ellen era incapaz de continuar os trabalhos escolares, e parecia a todos que a menina antigamente promissora não poderia viver por muito tempo. No ano de 1840 Ellen assistiu, com os pais, à reunião campal metodista em Buxton, Maine, e lá, com a idade de 12 anos, entregou o coração a Deus. Voltando para casa, por sua insistência foi batizada por imersão pelo ministro metodista nas ondas revoltas do Oceano Atlântico, que banhava as praias de Portland, e nesse mesmo dia foi recebida como membro da igreja metodista.

A mensagem do Advento 

Com outros membros da família, Ellen assistiu às reuniões adventistas em Portland em 1840 e 1842, aceitando plenamente os pontos de vista apresentados por Guilherme Miller e seus companheiros, e confiantemente aguardou a volta do Salvador em 1843, e depois em 1844. Ellen era fervorosa obreira missionária, trabalhando com seus jovens companheiros, e fazia sua parte em proclamar a mensagem do advento. Muitas vezes trabalhava longas horas com abnegação a fim de poder obter os meios para propagar a preciosa mensagem a outros. A juventude de Ellen não diminui a amargura do grande desapontamento de 22 de outubro de 1844 e, assim como outros, ela buscou fervorosamente a Deus por luz e direção nos dias de perplexidade que se seguiram. No tempo crítico, quando muitos estavam vacilando ou abandonando sua experiência adventista, juntou-se Ellen Harmon a quatro outras irmãs no culto familiar enquanto estava na casa de um companheiro de fé, no sul de Portland, numa manhã do fim de dezembro. O Céu parecia escuro perto do grupo em oração, e ao repousar o poder de Deus sobre Ellen, perdeu ela a noção do ambiente terreno, e numa revelação figurada testemunhou as viagens do povo do advento para a cidade de Deus. (Primeiros Escritos, pp. 13-20). Quando a jovem de dezessete anos relatou, tremendo e relutantemente, essa visão aos crentes em Portland, foi ela aceita como luz de Deus. Atendendo à direção do Senhor, Ellen viajou com amigos e parentes de um lugar para outro, conforme a oportunidade, relatando aos grupos esparsos de adventistas o que lhe fora revelado, tanto na primeira visão, como nas que se sucederam. Aqueles dias não eram fáceis para os adventistas desapontados. Não somente sofriam escárnio e o ridículo do mundo em grande escala, mas eles mesmos não estavam muito unidos, e toda sorte de fanatismo se levantou em suas próprias fileiras. Pela revelação, o Senhor mostrou a Ellen Harmon o surgimento de alguns desses movimentos fanáticos, e lhe foi dada a responsabilidade de reprovar fielmente o mal e apontar o erro. Esse trabalho ela achou difícil de realizar.

Casamento de Tiago e Ellen White 

Numa viagem a Orrington, Maine, Ellen encontrou um jovem pregador adventista, Tiago White, que contava então vinte e quatro anos de idade, e como seus trabalhos, ocasionalmente, faziam com que os dois se encontrassem, brotou uma afeição que depois de se terem certificado do que o Senhor os estava guiando, levou-os a se unirem mais tarde em matrimônio, em agosto de 1846.

Nas primeiras poucas semanas que se seguiram ao casamento, Tiago e Ellen entregaram-se ao estudo cuidadoso de um folhetinho de quarenta e seis páginas publicado pelo Pastor José Bates em New Bedford, Massachusetts, intitulado “The Seventh-day Sabbath” (O Sábado do Sétimo Dia), e que apresentava evidências das Escrituras quanto à santidade do sétimo dia. Claramente viram a exatidão dos pontos de vista apresentados, e aceitaram a luz. Cerca de seis meses mais tarde, no sábado, 7 de abril de 1847, estando a irmã White em visão, foi-lhe mostrada a lei de Deus no santuário celestial com auréola de luz ao redor do quarto mandamento. Essa visão trouxe mais clara compreensão da importância da verdade do sábado, e confirmou a confiança dos adventistas nela. (Primeiros Escritos, pp. 32-35). Os primeiros dias da experiência de casados de Tiago e Ellen White foram repletos de pobreza e às vezes de angústia. Nessa fase de nossa obra, antes de se efetuar a organização da igreja, e antes que fosse provido o sustento regular do ministério, dependiam os obreiros do trabalho de suas mãos para seu apoio financeiro, de modo que o tempo de Tiago White dividia-se entre trabalhar e pregar, e ganhar a vida na floresta, na estrada de ferro ou no campo de feno. A 26 de agosto de 1847 chegou ao lar da família White um menino, Henrique. Sua presença trouxe alegria à jovem mãe, mas Ellen White logo viu que devia deixar o filho com amigos de confiança e continuar o trabalho, viajando e dando a mensagem que Deus lhe confiara. Os poucos anos seguintes tiveram um registro de viagens, visitas ao “rebanho disperso”, de assistência a conferências e escrever.

Fatos Interessantes

Quantos filhos Ellen White teve?

Nasceram quatro meninos na família White. Henry Nichols (1847-1863) foi o seu primogênito. Ele morreu de pneumonia aos 16 anos. James Edson (1849-1928) se tornou um pastor adventista do sétimo dia e é mais lembrado por sua obra pioneira como evangelizador e educador entre os afro-americanos do sul dos Estados Unidos. William Clarence (1854-1937) também se tornou um pastor da Igreja Adventista. Após a morte de Tiago White, em 1881, William tornou-se o principal assistente editorial e gerente de publicações de sua mãe. John Herbert (1860) morreu com a idade de três meses, de erisipela.

Ellen White foi a única adventista do sétimo dia na sua família? E seus irmãos e irmãs?

Dos oito filhos do casal Harmon, dois se tornaram adventistas do sétimo dia ativos: Ellen e sua irmã mais velha Sarah, mãe do escritor de hinos F. E. Belden. Os pais de Ellen White morreram guardando o sábado e acreditando na mensagem do Advento, assim como o seu irmão Robert, que morreu pouco mais de dez anos antes de a igreja ser oficialmente organizada em 1863. Mary, seis anos mais velha que Ellen, considerava a si mesma como uma adventista do sétimo dia, embora não haja registro de sua ligação formal com a igreja. Ellen White mantinha íntima ligação com suas outras três irmãs e seu irmão mais velho, John, correspondendo-se com eles, visitando-os, e mandando-lhes cópias de seus livros e assinaturas de periódicos adventistas. Uma vez ela escreveu sobre suas irmãs: “Embora realmente não concordássemos em todos os pontos a respeito de obrigação religiosa, nossos corações ainda eram um” (Review and Herald, 21 de abril de 1868).

Ellen White era milionária?

Mais de uma vez em seu ministério, Ellen White foi confrontada por acusações de que ela estava acumulando uma grande riqueza por causa dos direitos autorais de seus livros. Eis sua resposta direta a um difamador, escrita em 1897 enquanto ela morava na Austrália: “Você fez denúncias de que eu era rica. Como sabia que eu era? Por cerca de dez anos tenho trabalhado com base em propriedades que não me pertenciam. Se vendesse tudo o que tenho em minha posse, não teria dinheiro suficiente para saldar todas as minhas despesas. “Onde tenho investido o dinheiro? Você bem sabe onde. Eu tenho sido o banco de onde são extraídos os recursos para levar avante o trabalho neste país… “Eu tenho tomado dinheiro emprestado para fazer a obra que precisa ser feita. Nem um xelim das doações que me são enviadas, desde a menor quantia até as maiores, foi usado em meu próprio favor. Nossa boa irmã Wessels presenteou-me um vestido de seda, e fez-me prometer que não o venderia. Mas eu acho que se ela tivesse colocado em minhas mãos o valor correspondente ao vestido, ele teria sido usado na causa de Deus. “Vejo dívidas em nossas casas de culto e isso me faz doer o coração. Não posso deixar de me afligir com o assunto. Tenho investido dinheiro nas igrejas de Parramatta, Prospect, Napier, Ormondville, Gisborne, e na educação de estudantes. Tenho enviado pessoas para a América a fim de serem preparadas para voltar e trabalhar neste país. Se esta é a maneira de alguém se tornar rico, eu acho que outros deviam experimentá-la. “Todos os direitos autorais sobre meus livros estrangeiros vendidos na América são sagradamente dedicados a Deus para a educação de estudantes, a fim de que possam ser preparados para o ministério. Milhares de dólares têm sido gastos assim. É esta a maneira de se acumular dinheiro? A velha história que Canright e outros fizeram circular, de que eu valia 30 mil dólares, é tudo ficção. E fiquei sabendo que esse valor já aumentou para 30 mil libras, desde que eu vim para a Austrália. “Não sei onde está esse dinheiro. Estou usando todos os meus recursos, tão rápido quanto eles me chegam às mãos, para fazer avançar a obra neste país. Se eu tivesse 30 mil libras, não teria mandado buscar na África o empréstimo de mil libras pelo qual estou pagando juros. Se pudesse, teria feito outro empréstimo de mil libras, para que pudéssemos construir o edifício escolar principal. “Eu não tenho 30 mil libras. Eu só queria ter um milhão de dólares. Eu faria o que fiz em Sidney. Colocaria homens no campo de trabalho, custeando suas despesas com meus próprios recursos. Precisamos de cem homens onde agora só temos um no campo.” (Carta 98a, 1897). Seis anos mais tarde, em uma carta pessoal datada de 19 de outubro de 1903, Ellen White escreveu: “Fiz tudo o que pude para ajudar a causa de Deus com meus recursos. Estou pagando juros sobre 20 mil dólares, utilizados inteiramente na causa de Deus. E continuarei a fazer tudo que estiver em meu poder para auxiliar no avanço da Sua obra.” (Carta 218, 1903).

Quantos livros e artigos Ellen White escreveu?

À época de sua morte as produções literárias de Ellen White totalizavam aproximadamente 100.000 páginas: 24 livros em circulação; dois manuscritos de livros prontos para publicação; 5.000 artigos em periódicos da igreja; mais de 200 tratados e panfletos; aproximadamente 35.000 páginas datilografadas de documentos e cartas manuscritas; 2.000 cartas escritas à mão e diários, que resultaram, quando copiados, em outras 15.000 páginas datilografadas. As compilações dos escritos de Ellen White feitas após a sua morte totalizam um número de livros em circulação de mais de 130.

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