Ministério da Família

Sua família tem regras quanto a jogos virtuais?

Marcelo, que matou toda a família, costumava jogar o "Assassin's Creed".

Marcelo, que matou toda a família, costumava jogar o “Assassin’s Creed” (Fonte: G1).

Estas regras servem para adultos e crianças?

Não fiquei surpreso ao descobrir que Marcelo Pesseghini, 13 anos, costumava jogar o “Assassins’s Creed” (Doutrina do Assassino), videogame extremamente violento. Ele é o principal suspeito de ter assassinado a família enquanto esta dormia, e de depois colocar fim à própria vida. Esta possibilidade não seria de estranhar, porque existe uma óbvia relação de causa e efeito entre jogos e conduta (veja links ao final do texto*). E se há tantas evidências para esta relação, por que alguns ainda duvidam? Este artigo [veja aqui] apresenta quatro razões por que duvidam apesar das evidências.

Voltando ao título, em sua casa existem regras quanto a jogos virtuais ou videogames? E elas servem também para os adultos? Que tal se as regras para as crianças fossem também critério para os maiores – pai e mãe? “… Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus”, disse Jesus (Mt 18:3).

Em uma casa que está solenemente se preparando para o tempo do fim, para as coisas eternas, videogames e jogos virtuais em geral não serão incentivados. Serão inclusive evitados, porque tendem a diminuir o gosto por prazeres e deveres reais. Mesmo as diversões e jogos virtuais, assim chamados de “inocentes”, preparam o gosto para outros não tão brandos, e assim sucessivamente, até que o virtual toma de assalto à vida real, e destrói também à espiritual. Se analisarmos o séquito de adultos improdutivos, alienados, que perderam a virtude, o caráter, a família e a vida eterna através deste meio, teremos que ser muito mais cautelosos quanto ao uso deste tipo de entretenimento em nossa própria casa.

Parece uma ideia bastante radical, impopular e fora de moda, mas não é apenas o conteúdo que pode ser um problema. É a própria perda de tempo que aliena, corrompe o caráter e desabilita a mente para os deveres e responsabilidades da vida. Faz bem seguir o critério da Palavra de Deus: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co10:31). Não faz muito, os pais consideravam desmoralizador se os filhos fossem ao Fliperama (estabelecimentos de jogos eletrônicos e mecânicos). Meu pai sempre deixou muito claro que não me esperava encontrar em um lugar destes. Mas hoje, os “fliperamas” são levados por alguns até para dentro das igrejas!

Estamos exatamente no desfecho do Grande Conflito. Então, se você ama aos filhos (e a você mesmo), encaminhe-os para outros tipos de entretenimento que sejam a um mesmo tempo mais úteis, saudáveis e nobres. Se você tem condições, gosta de tecnologia, e quer incentivá-la em seus filhos, porque não comprar um Kindle, por exemplo, e motivar a boa leitura?

Não queremos ser exemplo para ninguém, e cada família deve criar suas próprias regras, mas quero partilhar um pouco de nossa experiência, baseada de certa forma na história de Ben Carson (livro “Sonhe Alto”). Sua mãe, abandonada cedo pelo marido em meio a muita pobreza, criou os filhos sozinha, e através de rotinas inteligentes preparou-os para serem homens de sucesso e grande utilidade nesta e na outra vida, mesmo trabalhando fora o dia todo e estando internada por períodos sucessivos em uma clínica psiquiátrica.

Depois de explicar a importância da leitura para o desenvolvimento pessoal, ela criava rotinas para os filhos (o que sempre incluía bons livros), e exigia relatórios. Dessa forma, afastou os meninos da criminalidade, que vicejava no ambiente desfavorável de periferia onde viviam. Seu filho mais famoso tornou-se o primeiro neurocirurgião negro dos Estados Unidos, atual diretor do Departamento de Neurocirugia Pediátrica do Hospital Johns Hopkins.

Foi pensando nela que minha esposa e eu também negociamos uma regra com nossas filhas, quando ainda estavam no início da adolescência. Primeiro conversamos e procuramos explicar as vantagens do plano. Uma delas, já havia inclusive lido o livro, o que tornou as coisas bem mais fáceis. E a regra era que todos os dias, antes de qualquer tipo de entretenimento virtual (tínhamos apenas internet), precisavam fazer cinco coisas: [1] comunhão pessoal (Bíblia, lição, etc), [2] terminar as tarefas escolares, [3] fazer algum tipo de trabalho doméstico (escolher de uma lista preparada pela mãe), [4] ler um mínimo de cinco páginas de uma boa literatura (escolha delas, mas supervisão nossa), e [5] fazer algum tipo de atividade física ao ar livre (bicicleta, volei, etc.). Na prática, esse já era o entretenimento, e sobrava muito pouco tempo para outra coisa – e era o que nós queríamos mesmo. (Yes!).

A ordem das atividades foi baseada em Mateus 6:33 e em um curto mas eficiente ditado de minha avó: “Primeiro o dever, depois o prazer.” Também nos lembrávamos sempre daquele texto de Ellen G. White que diz que uma mente desocupada “é a oficina de Satanás.” (Educação, 189). É enquanto os pais dormem que o inimigo semeia o joio… E foi mesmo enquanto dormiam que a vida acabou para a família Pesseghini, provavelmente porque não se acordou a tempo de perceber o rumo que a vida do filho tomava.

Bem, agora é o momento de você formular as regras sobre jogos e entretenimento para sua família ou sua vida. Mas antes disto, se você é cristão, é muito importante conhecer mais profundamente os princípios divinos que devem reger nossa filosofia de #entretenimento e a #recreação. Existe um excelente material nas seções 09 e 13 do livro “Mensagens aos Jovens“, de Ellen G. White. Abra o olho… e o livro!

(Você encontra o livro no formato virtual em http://ellenwhitebooks.com/ ou https://egwwritings.org/singleframe.php).

* Sobre a evidente ligação entre jogos violentos e comportamento violento, veja estes links:

Parents & Teachers: Violent Video Games & Aggressive Behaviors;
Violent video games are a risk factor for criminal behavior and aggression;
The effects of violent video games. Do they affect our behavior?

Marcos Faiock Bomfim, Diretor do Ministério da Família/DSA

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