{"id":1,"date":"2013-03-07T12:02:08","date_gmt":"2013-03-07T15:02:08","modified":"2014-07-23T15:39:56","modified_gmt":"2014-07-23T18:39:56","slug":"ellen-white-e-saude-mental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adventistas.org\/pt\/espiritodeprofecia\/ellen-white-e-saude-mental\/","title":{"rendered":"Ellen White e a sa\u00fade mental"},"content":{"rendered":"<p><em>Merlin D. Burt\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Ellen White foi um dos tr\u00eas principais fundadores da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia. Realizou um papel \u00fanico de lideran\u00e7a na igreja emergente: o dom da profecia. Em seu minist\u00e9rio p\u00fablico, recebeu centenas de vis\u00f5es e sonhos com mensagens que variavam de conselhos pessoais a quest\u00f5es sobre a rec\u00e9m-fundada Igreja, em \u00e1reas como f\u00e9 e doutrina, organiza\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o etc. Embora tenha escrito de maneira produtiva e com autoridade, nunca inferiu que seus escritos devam ser suplementares \u00e0 Escritura. Ao longo de sua vida e minist\u00e9rio, apontou a B\u00edblia como a regra de f\u00e9 e pr\u00e1tica para os crist\u00e3os. Uma de suas principais fun\u00e7\u00f5es foi a de ajudar os indiv\u00edduos e a organiza\u00e7\u00e3o da Igreja a compreender e seguir a vontade de Deus. Embora n\u00e3o tivesse treinamento formal em sa\u00fade mental, muitas vezes serviu como uma conselheira para as pessoas que tinham diferentes necessidades emocionais e psicol\u00f3gicas. Tocou a vida de milhares de pessoas e deu-lhes uma nova esperan\u00e7a com um saud\u00e1vel foco espiritual, mental e emocional. Seus extensos escritos demonstram interesse pela sa\u00fade mental. Entre outros materiais, escreveu um importante cap\u00edtulo intitulado \u201cA cura mental\u201d em seu livro\u00a0<em>A Ci\u00eancia do Bom Viver<\/em>. Em 1977, o Ellen G. White Estate publicou uma compila\u00e7\u00e3o de dois volumes intitulada\u00a0<em>Mente, Car\u00e1ter e Personalidade<\/em>.<\/p>\n<p>Este artigo apresentar\u00e1 resumidamente a compreens\u00e3o de Ellen White sobre sa\u00fade mental, suas experi\u00eancias pessoais e familiares e seu papel como uma conselheira em quest\u00f5es que afetam a sa\u00fade mental.<\/p>\n<h3><strong>Como Ellen White entendia a sa\u00fade mental<\/strong><\/h3>\n<p>Quando Ellen White usou o termo \u201csa\u00fade mental\u201d, associou-o a \u201cclareza mental, nervos calmos, sossego, esp\u00edrito pac\u00edfico como de Jesus\u201d.\u00a0A fim de compreender suas observa\u00e7\u00f5es sobre quest\u00f5es de sa\u00fade mental, \u00e9 necess\u00e1rio compreender tamb\u00e9m a linguagem do s\u00e9culo 19. Por exemplo, ela usou a express\u00e3o \u201cdoente imagin\u00e1rio\u201d para pensamento ilus\u00f3rio ou desequil\u00edbrio emocional; e \u201cdes\u00e2nimo, o que aumenta at\u00e9 o desespero\u201d, para depress\u00e3o.<sup>2<\/sup>\u00a0Tamb\u00e9m usou o termo \u201ca cura da mente\u201d para descrever a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o de Ellen White sobre a natureza humana foi baseada na vis\u00e3o b\u00edblica de que a natureza humana \u00e9 inerentemente pecadora e necessita da ajuda externa de Deus. Para ela, Jesus foi o grande terapeuta da danificada e pecadora mente humana. \u201c\u00c9-nos imposs\u00edvel, por n\u00f3s mesmos\u201d, escreveu, \u201cescaparmos do abismo do pecado em que estamos mergulhados. Nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00edmpio, e n\u00e3o o podemos transformar\u201d. Em seguida, citou J\u00f3 14:4 e Romanos 8:7 para apoiar este ponto de vista. Continuou: \u201cA educa\u00e7\u00e3o, a cultura, o exerc\u00edcio da vontade, o esfor\u00e7o humano, todos t\u00eam sua devida esfera de a\u00e7\u00e3o, mas neste caso s\u00e3o impotentes. Poder\u00e3o levar a um procedimento exteriormente correto, mas n\u00e3o podem mudar o cora\u00e7\u00e3o; s\u00e3o incapazes de purificar as fontes da vida. \u00c9 preciso um poder que opere interiormente, uma nova vida que proceda do alto, antes que os homens possam substituir o pecado pela santidade.\u201d<sup>3<\/sup><\/p>\n<p>Em Ellen White, h\u00e1 uma converg\u00eancia entre Psicologia e Teologia. As duas devem interagir e quando corretamente integradas, fornecem a maior ajuda para a mente humana e emo\u00e7\u00f5es. Para ela, a verdadeira fonte da sa\u00fade mental e emocional \u00e9 Deus, o amante Pai; Jesus, o \u201cGrande M\u00e9dico\u201d; e o Esp\u00edrito Santo, o Conselheiro.<\/p>\n<p>Ellen White defendeu a apropriada liga\u00e7\u00e3o entre o desenvolvimento f\u00edsico, mental e espiritual na experi\u00eancia humana. \u201cA vida espiritual \u00e9 constru\u00edda a partir do alimento dado para a mente; e se comemos a comida fornecida na Palavra de Deus, o resultado ser\u00e1 sa\u00fade espiritual e mental.\u201d<sup>4<\/sup>\u00a0A verdadeira sa\u00fade mental \u00e9 dependente, estabelecendo um equil\u00edbrio adequado entre o corpo e a mente. \u201cN\u00e3o podemos nos dar ao luxo de impedir o crescimento ou debilitar uma \u00fanica fun\u00e7\u00e3o da mente ou do corpo, pelo excesso de trabalho ou abuso de qualquer parte do mecanismo vivente.\u201d<sup>5<\/sup>\u00a0Ela utilizou a frase \u201ca sa\u00fade f\u00edsica e mental\u201d para mostrar a liga\u00e7\u00e3o entre as duas. As dimens\u00f5es f\u00edsicas e mentais est\u00e3o intimamente ligadas e exigem adequado equil\u00edbrio e cuidado. Ela cria que o meio ambiente apropriado, a\u00e7\u00f5es corretas e uma dieta adequada proporcionavam sa\u00fade mental. Tamb\u00e9m foi uma forte defensora da cura pelos benef\u00edcios da natureza, uma postura correta e os atos de servi\u00e7o aos outros.<sup>6<\/sup><\/p>\n<h3><strong>Experi\u00eancias pessoais<\/strong><\/h3>\n<p>A filosofia de Ellen White sobre sa\u00fade mental, embora formada por seu estudo da B\u00edblia e suas vis\u00f5es, estava ligada a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia. A dor emocional e os desafios psicol\u00f3gicos n\u00e3o lhe eram estranhos. Quando crian\u00e7a, era introvertida, t\u00edmida e emocionalmente sens\u00edvel. Al\u00e9m disso, tinha uma defici\u00eancia f\u00edsica. Durante a juventude, experimentou medo e desesperan\u00e7a que resultaram em prolongados per\u00edodos de depress\u00e3o. Al\u00e9m da luta pessoal, em sua fam\u00edlia pr\u00f3xima havia casos de defici\u00eancia mental.<\/p>\n<p>O marco fundamental de Ellen White para a sa\u00fade mental e emocional foi a compreens\u00e3o da natureza amorosa de Deus. Quando crian\u00e7a, imaginava Deus como um \u201ctirano inflex\u00edvel obrigando os homens a uma obedi\u00eancia cega\u201d.<sup>7<\/sup>\u00a0Quando os pregadores descreviam os fogos de um inferno eternamente queimando, personalizava o horror daquela experi\u00eancia. Ela escreveu: \u201cAo ouvir aquelas terr\u00edveis descri\u00e7\u00f5es, minha imagina\u00e7\u00e3o era t\u00e3o perturbada que come\u00e7ava a transpirar, e era dif\u00edcil reprimir um grito de ang\u00fastia, pois j\u00e1 parecia sentir a dor da perdi\u00e7\u00e3o.\u201d<sup>8<\/sup>\u00a0Isso a levou a duvidar de sua aceita\u00e7\u00e3o por Deus o que causou per\u00edodos de depress\u00e3o. Ela escreveu: \u201cO desespero me inundou, e [...] nenhum raio de luz traspassou a escurid\u00e3o que me rodeava.\u201d<sup>9<\/sup>\u00a0Suas \u201cemo\u00e7\u00f5es eram muito sens\u00edveis\u201d e temia \u201cperder\u201d a \u201craz\u00e3o\u201d. Ellen White lembrou que \u201c\u00e0s vezes por uma noite inteira\u201d n\u00e3o se atrevia a fechar os olhos, mas \u201cajoelhada no piso, orava silenciosamente com uma agonia muda que n\u00e3o pode ser descrita\u201d.<sup>10<\/sup><\/p>\n<p>Sua pr\u00e9-adolesc\u00eancia e os primeiros anos da adolesc\u00eancia foram sobrecarregados pela incapacidade f\u00edsica. Aproximadamente aos nove anos de idade, foi gravemente ferida em um acidente. Um nariz quebrado e outros danos causaram problemas de equil\u00edbrio e lhe impediram de continuar a sua educa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m desenvolveu uma doen\u00e7a pulmonar cr\u00f4nica, diagnosticada na \u00e9poca como \u201cedema de tuberculose\u201d, conhecida hoje como \u201ctuberculose com insufici\u00eancia card\u00edaca congestiva\u201d. Seus temores eram intensificados pelo pensamento de que poderia sangrar a qualquer momento pela ruptura de uma art\u00e9ria em seus pulm\u00f5es.<sup>11<\/sup>\u00a0Os traumas f\u00edsicos e emocionais combinados com sua personalidade introvertida a impediam de solicitar ajuda.<\/p>\n<p>Por volta dos 15 anos, finalmente, falou com algu\u00e9m que a ajudou a compreender melhor a natureza amorosa de Deus. Essa pessoa marcou uma entrevista com Levi Stockman, um ministro metodista milerita, para ajud\u00e1-la. Stockman foi sens\u00edvel \u00e0 dor emocional de Ellen e at\u00e9 mesmo compartilhou suas l\u00e1grimas. Ela escreveu que \u201cobteve\u201d de Stockman \u201cmais conhecimento sobre o tema do amor e terna piedade de Deus, do que de todos os serm\u00f5es e exorta\u00e7\u00f5es dos quais nunca tinha ouvido\u201d.<sup>12<\/sup>\u00a0Ela identificou o que mais lhe ajudou: \u201cMinha vis\u00e3o do Pai foi alterada. Agora O vejo como um terno progenitor [...]. Meu cora\u00e7\u00e3o foi em Sua dire\u00e7\u00e3o com um profundo e ardente amor.\u201d<sup>13<\/sup>O amor de Deus se tornou o tema favorito de Ellen White por toda a vida. Ela tamb\u00e9m cria que \u201co tema favorito de Cristo era o da paternal ternura e abundante gra\u00e7a de Deus\u201d.<sup>14<\/sup>\u00a0Sua obra-prima de cinco volumes sobre o conflito c\u00f3smico entre Cristo e Satan\u00e1s come\u00e7a e termina com esse tema.<sup>15<\/sup>Seu livro mais popular, publicado em muitos idiomas com milh\u00f5es de c\u00f3pias, tem como seu primeiro cap\u00edtulo \u201cO cuidado de Deus\u201d.<sup>16<\/sup><\/p>\n<p>Em suas vis\u00f5es e sonhos, Ellen White confirmou a sua convic\u00e7\u00e3o de um Deus amoroso e compassivo Salvador. Um dos primeiros sonhos que ocorreu antes de sua primeira vis\u00e3o prof\u00e9tica conduziu-a \u00e0 presen\u00e7a de Jesus quando percebeu que Ele conhecia todos os seus \u201cpensamentos e sentimentos secretos\u201d. No entanto, mesmo com esse conhecimento, Ele \u201caproximou-se com um sorriso\u201d, estendeu a m\u00e3o sobre a sua cabe\u00e7a, e disse: \u201cN\u00e3o tenha medo.\u201d<sup>17<\/sup>\u00a0Em uma entrevista em seu \u00faltimo ano de vida, Ellen White disse: \u201cDeparo-me com l\u00e1grimas escorrendo em minha face quando penso sobre o que o Senhor \u00e9 para Seus filhos, e quando contemplo a Sua bondade, a Sua miseric\u00f3rdia, [e] a Sua terna compaix\u00e3o\u201d.<sup>18<\/sup><\/p>\n<h3><strong>Desafios da sa\u00fade mental na fam\u00edlia White<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m das lutas emocionais durante a inf\u00e2ncia e, por vezes, na idade adulta, Ellen White enfrentou desafios de sa\u00fade mental em sua fam\u00edlia. Seu segundo filho, James Edson, apresentou sinais de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o\/hiperatividade. Sua sobrinha, Louisa Walling, tornou-se t\u00e3o inst\u00e1vel mentalmente que foi internada em um manic\u00f4mio. Por se preocuparem com as duas filhas de Louisa, Tiago e Ellen White as trouxeram para sua casa. Ellen White acabou criando as meninas e elas a chamavam de m\u00e3e.<sup>19<\/sup>\u00a0Mesmo James White sofreu uma s\u00e9rie de acidentes vasculares cerebrais durante os anos de 1860 e 1870 que alteraram seu estado mental e trouxeram conflitos conjugais. Em 1879, Ellen White percebeu que seu marido n\u00e3o tinha \u201csuficiente sa\u00fade f\u00edsica e mental\u201d para dar conselhos e sugest\u00f5es.<sup>20<\/sup>\u00a0Em um determinado momento, ela se perguntou se ele era um \u201chomem mentalmente saud\u00e1vel\u201d.<sup>21<\/sup><\/p>\n<p>A experi\u00eancia pessoal de Ellen White combinada com sua dire\u00e7\u00e3o vision\u00e1ria a ajudou a fornecer um minist\u00e9rio exclusivo para pessoas que tamb\u00e9m sofriam de devasta\u00e7\u00e3o mental e emocional. Seus escritos revelam uma consistente compaix\u00e3o pelas pessoas que t\u00eam por vezes grave disfun\u00e7\u00e3o vital. Ela se engajou de forma not\u00e1vel no trabalho pessoal direto com muitas dessas pessoas.<\/p>\n<h3><strong>Ellen White como uma conselheira<\/strong><\/h3>\n<p><em>O comportamento obsessivo<\/em>. A carta de Ellen White ao \u201cirm\u00e3o Morrell\u201d mostra sua percep\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o mental dele. Descreveu-o como tendo \u201camplo estado consciente\u201d e \u201cbaixa autoestima\u201d. Parece que Morrell era obsessivo e patologicamente perfeccionista sobre sua conduta. Ele se sentia culpado pela menor percep\u00e7\u00e3o de erro ao ponto de instabilidade mental. White escreveu sobre a condi\u00e7\u00e3o deste homem: \u201cO sistema nervoso do irm\u00e3o Morrell \u00e9 fortemente afetado e ele pondera sobre essas coisas [seus pecados e falhas percebidos], enfatizando-as. Sua imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 doentia. [...] A mente tem sofrido de maneira inexpress\u00e1vel. O sono dele \u00e9 afugentado.\u201d Escreveu diretamente para ele: \u201cVi, irm\u00e3o Morrell, que voc\u00ea deve lan\u00e7ar fora seus medos. Deixe as consequ\u00eancias com o Senhor e relaxe. Voc\u00ea tenta arduamente salvar-se a si pr\u00f3prio, fazer alguma coisa grande a qual v\u00e1 recomend\u00e1-lo a Deus. [...] Jesus ama voc\u00ea, e se voc\u00ea e tudo o que tem se consagrarem a Ele, Ele vai aceit\u00e1-lo e ser\u00e1 seu Suporte em suas dificuldades, seu Amigo infal\u00edvel. [...] Acredite, Jesus ama voc\u00ea e, em seus esfor\u00e7os para obedecer a verdade, caso erre, n\u00e3o sinta que deve preocupar-se e preocupar-se, desistir de sua confian\u00e7a em Deus e pensar que Deus \u00e9 seu inimigo. Somos pecadores mortais.\u201d Tamb\u00e9m insistiu com ele para que adotasse a reforma da sa\u00fade e evitasse estimulantes. \u201cEnt\u00e3o\u201d, escreveu, \u201co c\u00e9rebro pode pensar mais calmamente, o sono n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o incerto.\u201d<sup>22<\/sup><\/p>\n<p><em>Abuso emocional.<\/em>\u00a0Ellen White escreveu v\u00e1rias cartas de aconselhamento \u00e0s mulheres que s\u00e3o emocional ou fisicamente controladas por seus maridos. Em dezembro de 1867, visitou a igreja em Washington, New Hampshire, com o marido e JN Andrews. Primeiro, deu conselhos oralmente e a seguir deu um \u201ctestemunho\u201d escrito com base em uma vis\u00e3o que havia recebido. Escreveu um conselho a Harriet Stowell. Ap\u00f3s a morte de seu primeiro marido, Harriet se casou com Freeman S. Stowell, 12 anos mais jovem e que n\u00e3o comungava a sua f\u00e9.<sup>23<\/sup>\u00a0As palavras de Ellen White explicam a situa\u00e7\u00e3o: \u201cEla [Harriet] \u00e9 amada por Deus, mas \u00e9 mantida em servil cativeiro, temendo, tremendo, entristecida, duvidando, muito nervosa. Agora esta irm\u00e3 n\u00e3o deve sentir que deva render sua vontade a um jovem herege que tem menos anos sobre a sua cabe\u00e7a que ela mesma. Deve lembrar que seu casamento n\u00e3o destr\u00f3i a individualidade. Deus tem para ela reivindica\u00e7\u00f5es mais elevadas do que qualquer alega\u00e7\u00e3o terrena. Cristo j\u00e1 a comprou com seu pr\u00f3prio sangue, ela n\u00e3o lhe pertence. Ela falha ao n\u00e3o colocar toda a confian\u00e7a em Deus, e sujeita-se a ceder suas convic\u00e7\u00f5es, a consci\u00eancia para um arrogante, homem tirano, exaltado por Satan\u00e1s quando a sua majestade sat\u00e2nica pode se tornar eficaz para intimidar o tremor, retraindo a alma que por tantas vezes tem sido levada \u00e0 agita\u00e7\u00e3o. E o seu sistema nervoso \u00e9 feito aos peda\u00e7os e ela [\u00e9] quase uma ru\u00edna.\u201d<sup>24<\/sup><\/p>\n<p>Ellen White apoiou a individualidade no casamento e rejeitou a ideia de que um c\u00f4njuge deve abrir m\u00e3o de sua personalidade e de sua identidade pr\u00f3pria. O testemunho foi uma ajuda \u00e0 mulher que estava \u00e0 beira de um colapso emocional.<\/p>\n<p><em>Alcoolismo<\/em>. Em uma carta a um jovem homem ingl\u00eas, Ellen White escreveu sobre os efeitos da depend\u00eancia do \u00e1lcool. Henri Frey trabalhava como tradutor para a miss\u00e3o europeia na Su\u00ed\u00e7a. Ele estava tendo um problema com a bebida. Por causa disso, foi removido da sua posi\u00e7\u00e3o como tradutor. Foi ent\u00e3o que ele escreveu a Ellen White contando que estava sendo perseguido. Ela apoiou a decis\u00e3o da Igreja, mas apelou a Frey. \u201cSinto o mais terno sentimento de piedade e de amor por voc\u00ea, mas falsas palavras de simpatia [...] nunca dever\u00e3o ser tra\u00e7adas pela minha caneta.\u201d Ela descreveu de forma conveniente a sua condi\u00e7\u00e3o: \u201cVoc\u00ea busca sua falsa natureza emocional para as melhores resolu\u00e7\u00f5es, falsa para os seus compromissos solenes. Nada parece real. Suas pr\u00f3prias inefici\u00eancias o levam a duvidar da sinceridade daqueles que lhe fariam bem. Quanto mais luta em d\u00favida, mais irreal tudo lhe parece. At\u00e9 parece que n\u00e3o h\u00e1 base s\u00f3lida para voc\u00ea em nenhum lugar. Suas promessas n\u00e3o s\u00e3o nada, s\u00e3o como coisas fora da realidade, e voc\u00ea considera as palavras e obras daqueles em quem voc\u00ea deveria confiar com a mesma luz irreal.\u201d<sup>25<\/sup><\/p>\n<p>Ela continuou enfatizando o poder da vontade para superar a disfun\u00e7\u00e3o emocional. \u201cVoc\u00ea pode acreditar e prometer tudo, mas n\u00e3o daria uma palha por suas promessas ou por sua f\u00e9 at\u00e9 que voc\u00ea ponha a sua vontade sobre suas cren\u00e7as e a\u00e7\u00f5es.\u201d Sua carta de aconselhamento estava entremeada com apelos para que reconhecesse a ajuda de Jesus. \u201cDigo-lhe que voc\u00ea n\u00e3o precisa se desesperar. Deve escolher acreditar, embora nada pare\u00e7a verdadeiro e real para voc\u00ea.\u201d Concluiu com palavras de esperan\u00e7a: \u201cUma vida de utilidade est\u00e1 diante de voc\u00ea, se a sua vontade se torna a vontade de Deus. [...] Henri, voc\u00ea tentar\u00e1 honestamente mudar? Voc\u00ea \u00e9 objeto do amor e intercess\u00e3o de Cristo.\u201d<sup>26<\/sup><\/p>\n<p><em>Disfun\u00e7\u00e3o sexual.<\/em>\u00a0Ellen White frequentemente tratava de quest\u00f5es melindrosas. Em 1896, escreveu a um ministro em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a na \u00c1frica do Sul. Ele era culpado de abusar sexualmente de meninas. O homem havia escrito para Ellen White sobre suas lutas, mas dizia que n\u00e3o era culpado. Ela iniciou sua carta com uma ora\u00e7\u00e3o: \u201cQue o Senhor me ajude a escrever-lhe as palavras que ser\u00e3o para a sua restaura\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para a sua destrui\u00e7\u00e3o.\u201d Ent\u00e3o escreveu mais diretamente: \u201cSinto-me triste, muito triste por voc\u00ea. Pecado, meu irm\u00e3o, \u00e9 pecado, \u00e9 a transgress\u00e3o da Lei, e se tentasse atenuar o pecado diante de voc\u00ea, n\u00e3o lhe estaria fazendo qualquer bem. [...] Sua mente e cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o polu\u00eddos, de outra forma todas essas a\u00e7\u00f5es lhe seriam detest\u00e1veis.\u201d Ela descreveu o efeito a longo prazo do abuso sexual em crian\u00e7as, incluindo o risco de gravidez. Citou v\u00e1rios casos e descreveu como os danos psicol\u00f3gicos foram muitas vezes para toda a vida. \u201cComo posso falar de tal modo que voc\u00ea deixe de olhar para o que faz como se n\u00e3o tivesse nada de errado?\u201d Depois de uma prolongada, direta e por vezes dolorosa descri\u00e7\u00e3o de sua conduta, apelou: \u201cVoc\u00ea \u00e9 um agente moral livre. Se voc\u00ea se arrepender de seus pecados, e se converter, o Senhor vai apagar as suas transgress\u00f5es e imputar\u00e1 a voc\u00ea Sua justi\u00e7a. [...] Ele se responsabilizar\u00e1 pelo seu caso, e anjos o guardar\u00e3o. Mas deve resistir ao diabo. \u00c9 preciso que se eduque a outra linha de pensamento. N\u00e3o coloque nenhuma confian\u00e7a em si mesmo. Nunca procure a companhia de mulheres ou meninas. Mantenha-se afastado delas. Seu paladar moral \u00e9 t\u00e3o pervertido, que vai arruinar a voc\u00ea mesmo e a muitas pessoas se n\u00e3o mudar de forma honesta. [...] A vida eterna \u00e9 um valor ao longo da vida, perseverante, esfor\u00e7o incans\u00e1vel.\u201d<\/p>\n<p>Finalmente, ela instou-o a prestar contas perante os \u201cirm\u00e3os que sabem desse terr\u00edvel cap\u00edtulo de sua experi\u00eancia\u201d.\u00a0<sup>27<\/sup><\/p>\n<p>Os quatro exemplos ilustram o grau de envolvimento de Ellen White na vida de muitas pessoas que tinham dificuldades emocionais e mentais. Uma das caracter\u00edsticas not\u00e1veis do seu trabalho \u00e9 seu otimismo de que as pessoas podem se recuperar, n\u00e3o importa qu\u00e3o quebradas estejam. Ellen White sempre apontou-lhes a Deus, o grande m\u00e9dico da mente e da alma.<\/p>\n<p>Ellen White foi hol\u00edstica em sua abordagem da cura. Percebeu que a mente estava ligada ao corpo e que Deus pretendia que os seres humanos tivessem restauradas as rela\u00e7\u00f5es sociais. Para ela, a mais importante conex\u00e3o foi com um amoroso e santo Pai celestial.<\/p>\n<p><em>Merlin D. Burt (Ph.D, Universidade Andrews) \u00e9 diretor do Centro de Pesquisa Adventista, Ellen G. White Estate Branch Office, Universidade Andrews, Michigan, EUA.\u00a0E-mail: Burt@andrews.edu<\/em><\/p>\n<h3><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h3>\n<p><strong><sup>1<\/sup><\/strong>\u00a0Ellen G. White to D. T. Bourdeau, 10 fev., 1895, Carta 7, 1885, Ellen G. White Estate, Silver Spring, Maryland (EGWE); veja tamb\u00e9m Ellen G. White a D. T. Bourdeau, Carta 39, 1887, EGWE. Salvo indica\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio, todas as refer\u00eancias abaixo s\u00e3o de Ellen White.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>2<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Testemunhos para a Igreja<\/em>. v. 1. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2002. p.305.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>3<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Caminho a Cristo<\/em>. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000. p. 18.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>4<\/sup><\/strong>\u00a0\u201cSearch the Scriptures,\u201d\u00a0<em>Review and Herald<\/em>\u00a0(March 22, 1906), p. 8.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>5<\/sup><\/strong>\u00a0\u201cThe Primal Cause of Intemperance,\u201d<em>\u00a0Signs of the Times<\/em>\u00a0(20 de Abril), 1882, p. 181.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>6<\/sup><\/strong>\u00a0Veja<em>\u00a0Medical Ministry<\/em>\u00a0(Mountain View, Publicadora Pacific Press Assn., 1963), pp. 105-117.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>7<\/sup><\/strong>\u00a0\u201cLife Sketches\u201d manuscrito, p. 43, EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>8<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Life Sketches of Ellen G. White<\/em>\u00a0(Mountain View: Pacific Press, 1915), pp. 29, 30.9\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>9<\/sup><\/strong>\u00a0Ibid., 32.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>10<\/sup><\/strong>\u00a0James White e EGW,\u00a0<em>Life Sketches of James White and Ellen G. White<\/em>\u00a0(Battle Creek, Michigan: Adventistas do S\u00e9timo Dia, 1880), pp. 152-154.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>11<\/sup><\/strong>\u00a0J. N. Loughborough,\u00a0<em>Rise and Progress of the Seventh-day Adventists with Tokens of God\u2019s Hand in the Movement and a Brief Sketch of the Advent Cause from 1831 to 1844<\/em>\u00a0(Battle Creek: Confer\u00eancia Geral dos Adventistas do S\u00e9timo Dia, 1892), p. 92.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>12<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Life Sketches<\/em>\u00a0(1915 ed.), p. 37.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>13<\/sup><\/strong>\u00a0\u201cLife Sketches\u201d manuscrito, p. 43, EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>14<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Christ\u2019s Object Lessons<\/em>\u00a0(Washington, D.C.: Publicadora Review and Herald ,Assn., 1941), p. 40; idem,\u00a0<em>Testemunhos para a Igreja<\/em>, v. 6, p. 55; idem, \u201cThe New Zealand Camp Meeting,\u201d<em>\u00a0Review and Herald<\/em>\u00a0(06 de Junho , 1893), p. 354, 355.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>15<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Patriarcas e Profetas<\/em>. 16. ed. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003. p. 33, 34;\u00a0<em>O Grande Conflito<\/em>. 42. ed. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2004. p. 678.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>16<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Caminho a Cristo<\/em>. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2000. p. 9-16.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>17<\/sup><\/strong>\u00a0<em>Life Sketches<\/em>\u00a0(1915), p. 35.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>18<\/sup><\/strong>\u00a0EGW entrevista com C. C. Crisler (July 21, 1914), EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>19<\/sup><\/strong>\u00a0Veja Merlin D. Burt. \u201cCaroline True Clough Family and Ellen White\u201d. Ellen G. White Estate Branch Office, Loma Linda, Calif\u00f3rnia.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>20<\/sup><\/strong>\u00a0<em>The Judgment\u00a0<\/em>(Battle Creek: p. 29, 1879).\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>21<\/sup><\/strong>\u00a0EGW a Lucinda Hall (16 de maio, 1876), Carta 66, 1876, EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>22<\/sup><\/strong>\u00a0EGW a \u201cBrother Morrell\u201d (28 de dezembro, 1867), Carta 20, 1867, EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>23<\/sup><\/strong>\u00a0Identidades confirmadas pelos registros dos Censos Federais de 1850, 1860, e 1870 por Washington, NH;\u00a0<em>History of Washington, New Hampshire, From the First Settlement to the Present Time, 1768-1886<\/em>\u00a0(Claremont: Claremont Manufacturing, 1886), p. 535, 630.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>24<\/sup><\/strong>\u00a0Manuscrito 2, 1868, EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>25<\/sup><\/strong>\u00a0EGW a Henri Frey (21 de julho, 1887), Carta 49, 1887, EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>26<\/sup><\/strong>\u00a0Id.\u00a0\u2191<\/p>\n<p><strong><sup>27<\/sup><\/strong>\u00a0EGW a um Proeminente Ministro (01 de junho, 1896), Carta 106a, 1896, EGWE.\u00a0\u2191<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Merlin D. Burt\u00a0 Ellen White foi um dos tr\u00eas principais fundadores da Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia. Realizou um papel \u00fanico de lideran\u00e7a na igreja emergente: o dom da profecia. Em seu minist\u00e9rio p\u00fablico, recebeu centenas de vis\u00f5es e sonhos com mensagens que variavam de conselhos pessoais a quest\u00f5es sobre a rec\u00e9m-fundada Igreja, em \u00e1reas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":202,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[476],"tags":[],"class_list":["post-1","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude-2"],"acf":[],"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/institucional\/pt\/sites\/5\/2013\/03\/saude-mental.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/institucional\/pt\/sites\/5\/2013\/03\/saude-mental.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/institucional\/pt\/sites\/5\/2013\/03\/saude-mental-140x90.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/institucional\/pt\/sites\/5\/2013\/03\/saude-mental-140x90.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/institucional\/pt\/sites\/5\/2013\/03\/saude-mental-290x220.jpg"}}