Lição 10 - Por trás da máscara
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Domingo | Segunda | Terça | Quarta | Quinta | Sexta
VERSO PARA MEMORIZAR:
“Não se engrandeça na presença do rei, e não reivindique lugar entre os homens importantes” (Pv 25:6).
Por trás da deslumbrante serpente que proferia palavras suaves e que parecia estar preocupada com a felicidade de Eva se escondia o inimigo, que planejava sua morte (Gn 3:1-6). Disfarçado como “anjo de luz”, Satanás prepara as mais perigosas armadilhas para os seres humanos (2Co 11:14). Mas, ainda mais perigoso e enganoso do que as armadilhas de Satanás, é nosso fingimento. Quando afirmamos ser o que não somos, acabamos enganando os outros e até a nós mesmos.
Há diversas maneiras de enganar. Uma das mais comuns é por meio da linguagem. Alguns dos provérbios desta semana tratam das palavras: palavras mentirosas, palavras lisonjeiras, palavras bonitas que usam sons agradáveis e sentimentos maravilhosos para cobrir maus pensamentos e intenções. Precisamos ser cuidadosos não só com o que dizemos aos outros, mas com nossa maneira de interpretar o que outros nos dizem. Talvez a mensagem desta semana possa ser resumida desta forma: “Eis que Eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10:16).
Domingo - O mistério de Deus
A vida é cheia de mistérios. O físico David Deutsch escreveu: “Os eventos cotidianos são estupendamente complexos quando expressos em termos da física elementar. Se você enche uma chaleira de água e a coloca no fogo, nem todos os supercomputadores da Terra, trabalhando durante o número de anos que constitui a idade do Universo, poderiam resolver as equações que predizem o que todas aquelas moléculas de água irão fazer – mesmo que, de alguma forma, pudéssemos determinar o estado inicial delas e o de todas as influências externas que atuam sobre elas, o que, em si, é uma tarefa impraticável” (David Deutsch, 21/07/2011. The Beginning of Infinity: Explanations That Transform the World . Penguin Group, edição eletrônica para tablets Kindle, localizadores 1972-1975).
Se ficamos confundidos com algo tão comum como moléculas de água, como podemos esperar sequer começar a entender os mistérios de Deus?
1. Leia Provérbios 25:2, 3. Que ideia o autor está enfatizando, e como podemos aplicá-la a uma situação mais ampla?
O que torna a glória de Deus diferente da glória dos reis é Sua natureza “misteriosa” e, por implicação, nossa incapacidade humana de compreendê-Lo plenamente. A raiz hebraica str (encobrir, ocultar), da qual vem nossa palavra mistério, é frequentemente usada nas Escrituras Hebraicas (isto é, o AT) para caracterizar o que torna nosso Deus o único e verdadeiro (Is 45:14, 15). Há coisas sobre Deus que simplesmente não podemos entender. Por outro lado, o que constitui a glória dos reis é sua disposição para serem investigados. A transparência e a prestação de contas devem ser a primeira qualidade da liderança (Dt 17:14-20). É dever do rei esquadrinhar as coisas para que possa dar uma explicação para os acontecimentos
e para o que ele estiver fazendo.
Segunda-feira - O insensato como sábio
Embora não seja de origem recente, nos últimos anos tem se popularizado especialmente no mundo ocidental a ideia que defende a natureza relativa da verdade. Isto é, o que é verdadeiro para uma pessoa, ou uma cultura, pode não ser verdadeiro para outra. Embora isso esteja correto em determinadas situações (em alguns países a direção é do lado direito da estrada, enquanto em outros é do lado esquerdo), em outro nível é um erro perigoso, especialmente no âmbito moral. Certas coisas são certas e outras são erradas, não importa onde vivamos nem quais sejam nossas preferências pessoais. No fim das contas, precisamos sempre submeter nossos pontos de vista à Palavra de Deus e às verdades nela contidas. A Palavra de Deus deve ser nossa fonte suprema de conhecimento sobre o certo e o errado, o bem e o mal.
2. Leia Provérbios 26:11, 12. (Ver também Jz 21:25; 1Co 1:20, 21; 2:6, 7; 2Co 1:12.) O que todos nós devemos ter cuidado para não fazer?
Como podemos ver, essa ideia de fazer o que é certo aos nossos próprios olhos não é nova. Contudo, ela era tão errada naquela época quanto é hoje. Como já vimos, nenhum de nós compreende tudo: na verdade, não compreendemos nada em sua totalidade. Todos temos áreas em que precisamos crescer e aprender, portanto devemos estar sempre abertos ao fato de que não temos todas as respostas.
No caso dos insensatos, como se vê nesse provérbio, a razão para preocupação é que a influência da insensatez deles se estende para além deles mesmos. Eles estão agora mais convencidos do que nunca de que possuem sabedoria; portanto, irão repetir sua insensatez. Podem até ser tão convincentes que outros irão achar que eles são sábios e irão honrá-los e consultar seus conselhos, o que pode levar a grandes problemas (Pv 26:8). A insensatez se propagará, mas, pelo fato de estar rotulada como “sabedoria”, pode causar muito mais estragos. Além disso, os insensatos são tão tolos que não estão conscientes de sua insensatez.
O que acontece, porém, quando certos valores fundamentais entram em choque? Como podemos saber quais devem ter prioridade?
Terça - O preguiçoso
“O preguiçoso mete a mão no prato e não quer ter o trabalho de a levar à boca” (Pv 26:15).
Assim como os estudantes que gastam mais tempo e energia se preparando para colar num exame do que estudando para ele, é irônico que as pessoas preguiçosas se empenhem para achar desculpas para sua preguiça!
3. Leia Provérbios 26:13-16. Que advertência encontramos nesse texto?
Talvez a pessoa preguiçosa esteja certa: “Um leão está no caminho” (Pv 26:13). Portanto, é mais sábio ficar em casa e não confrontar o perigo. Mas ao fazer isso, perdemos todas as oportunidades que a vida oferece. Nunca desfrutaremos a beleza da rosa se não corrermos o risco de ser machucados pelos espinhos. Nunca seremos capazes de seguir em frente se tivermos medo dos obstáculos. As pessoas que não ousam se entregar nunca experimentarão a plenitude da vida.
Examine as outras figuras contidas nesses versos. Assim como a porta se move sobre as dobradiças, mas não vai a parte alguma, as pessoas preguiçosas se revolvem na cama; isto é, apenas mudam de posição, mas também não vão a lugar nenhum.
A outra figura, no verso 15, é ainda mais surpreendente. Eles podem colocar a mão num prato de comida, mas são preguiçosos demais para levá-la à boca a fim de se alimentarem.
Porém, pior ainda é sua preguiça intelectual, sua mente fechada e sua convicção sobre suas próprias posições. Portanto, sob seu ponto de vista, eles sempre estarão certos, e serão mais sábios do que sete homens sábios (Pv 26:16); não estão abertos a outros pontos de vista que talvez sejam mais sábios do que os deles. Em geral, os que acham que possuem todas as respostas não as possuem.
Quarta - O amigo como inimigo
Se somos mais desapontados pelos nossos amigos do que pelos nossos inimigos, é porque esperamos o bem de nossos amigos e o mal de nossos inimigos. Porém, nem sempre funciona dessa forma, não é mesmo? É por isso que o livro de Provérbios nos adverte que às vezes um amigo se comporta como um inimigo, e um inimigo, como amigo.
4. Leia Provérbios 27:5, 6. Quando a repreensão pode ser um sinal de amor?
O amor não tem que ver apenas com beijos e palavras doces. O amor às vezes nos obriga a repreender um amigo ou um filho, e podemos correr o risco de parecer desagradáveis, condenadores e críticos. Podemos até perder amigos se falarmos com eles abertamente. Contudo, se não os advertirmos sobre o que eles estão fazendo, especialmente se aquilo for prejudicá-los, então que tipo de amigos somos?
A censura franca às vezes é um sinal de que nosso amor não está construído sobre a ilusão e o fingimento, mas sobre a verdade e a confiança.
5. Leia Provérbios 27:17. Qual pode ser o efeito da confrontação entre amigos?
A figura do ferro afiando o ferro sugere um benefício recíproco. A amizade provada pela verdadeira confrontação não só melhora em qualidade, mas também estimula e fortalece ambas as personalidades. As respectivas armas ganham em eficiência. No fim, ficaremos mais bem equipados para nossas futuras lutas. As pessoas que se refugiam em si mesmas e apenas em suas próprias ideias, e nunca enfrentam o desafio de conceitos diferentes, não crescem em conhecimento nem no caráter.
Quinta - O inimigo como amigo
6. Leia Provérbios 26:17-23. Nas linhas abaixo, resuma o que é dito nesse texto.
O livro de Provérbios toca novamente no poder das palavras, dessa vez tratando do dano causado pela maledicência e pela contenda. Aqueles que falam mal do seu inimigo diante de você, para fazer você pensar que estão do seu lado, são, na verdade, como “carvão”: alimentam a contenda e os conduzem para o fogo de mais problemas (v. 21).
Da mesma forma, os “lábios ardentes”, que parecem tão eloquentes, podem esconder um “coração maligno” (v. 23, ARC). O político que deseja ser eleito, o vendedor que deseja vender suas mercadorias, o galanteador que deseja seduzir uma mulher – todos eles conhecem o poder da eloquência.
A lição contida nessa passagem é que devemos suspeitar dos discursos bonitos. Eles podem ser perigosos exatamente por ser bonitos. Algumas pessoas têm boa oratória; podem parecer persuasivas, sinceras e solícitas, mas no seu interior algo completamente diferente está acontecendo. Embora todos nós já tenhamos sido vítimas de pessoas assim, quem, em algum momento, já não foi culpado de fazer a mesma coisa: dizer algo para alguém mas pensar ou sentir de maneira totalmente diferente? Salomão fala enfaticamente contra esse comportamento enganoso.
“Tudo quanto os cristãos fazem deve ser tão transparente como a luz do Sol. A verdade é de Deus; o engano, em todas as suas múltiplas formas, é de Satanás.
... Não é, entretanto, coisa leve ou fácil falar a exata verdade; e quantas vezes opiniões preconcebidas, peculiares disposições mentais, imperfeito conhecimento, erros de juízo, impedem uma justa compreensão das questões com que temos que lidar! Não podemos falar a verdade, a menos que nossa mente seja continuamente dirigida por Aquele que é a verdade” (Ellen G. White, Refletindo a Cristo, [MM 1986], p. 71).
Em caso afirmativo, qual? Você acha realmente que essa duplicidade pode ser mantida indefinidamente? (Ver Mateus 10:26, 27.)
Sexta - Estudo adicional
“A atuação do Espírito de Deus não afasta de nós a necessidade de exercitar nossas faculdades e talentos, mas nos ensina a empregar toda capacidade para a glória de Deus. As faculdades humanas, quando estão sob a orientação especial da graça divina, são suscetíveis de ser empregadas para os melhores desígnios na Terra. A ignorância não aumenta a humildade nem a espiritualidade do professo seguidor de Cristo. As verdades da divina Palavra podem ser mais bem apreciadas pelo cristão intelectual. Cristo pode ser glorificado melhor por aqueles que O servem com inteligência. O grande objetivo da educação é nos habilitar a empregar de tal maneira o poder que Deus nos deu, que representemos a religião da Bíblia e promovamos a glória do Senhor.
“Somos devedores Àquele que nos deu a existência, quanto aos talentos que nos foram confiados; e é um dever que temos para com nosso Criador, cultivar e desenvolver esses talentos” (Ellen G. White, Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes,
p. 361, 362).
Perguntas para reflexão
- Reflita um pouco mais nos mistérios que encontramos na vida diária, seja na natureza, nas interações humanas ou em assuntos que dizem respeito à fé e à natureza de Deus e da salvação. É uma das grandes ironias da vida que, quanto mais aprendemos, mais percebemos quão pouco sabemos. Por que isso é ainda mais verdadeiro no que diz respeito às verdades espirituais?
- Quais são algumas das “verdades” relativas, culturais e sujeitas a mudanças? Como as distinguimos das verdades que são eternas, universais e imutáveis? Por que é tão importante sabermos a diferença entre elas? Por que a confusão entre verdades circunstanciais e verdades eternas é um dos grandes perigos que enfrentamos?
- Tem sido dito que as pessoas inteligentes conservam seus amigos perto de si, e seus inimigos ainda mais perto. O que isso quer dizer? Sendo cristãos, como devemos considerar essa ideia? Talvez Mateus 10:16 possa ajudar na resposta.