Comunicação

Suicídio

Imagem: Shutterstock

Infelizmente, o índice de mortes voluntárias tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, atingindo, inclusive, a comunidade adventista do sétimo dia. O fenômeno é sensível, complexo, e demanda atenção ao ser abordado em materiais produzidos pela igreja.

A Bíblia afirma que a vida é um presente de Deus (Gn 1:30; 2:7; Sl 36:9; At 17:25, 28), que criou o ser humano à Sua imagem e semelhança, a fim de que experimentasse a plenitude da existência (Gn 1:27; 1Pe 1:18, 19; 1Jo 2:2; 3:2). Embora o pecado tenha entrado no mundo, e com ele, a morte, (Gn 3; Rm 5:12), o Senhor espera que Seus filhos preservem e promovam a vida, considerando o corpo como santuário do Espírito Santo (1Co 6:19, 20) e sacrifício vivo (Rm 12:1-3), em honra ao Seu nome. Por isso, Ele defende a preservação da vida e condena sua destruição (Gn 9:5, 6; Êx 20:13; Dt 24:16; Pv 6:16, 17; Mq 6:7; Ap 21:8; 22:13-15).

Ellen White, considerando a ampla dimensão da vida humana apresentada nas Escrituras, entendia que o suicídio não se limitava ao ato, mas também incluía condutas que conspiram contra o bem-estar integral da pessoa. Assim, ela afirmava que práticas nocivas à saúde como onanismo (OC, 2015a, p. 452), sobrecarga de trabalho (1T, 2014a, p. 520), maneira errada de falar (4T, 2014b, p. 404), glutonaria (2ME, 2015b, p. 416) e alimentação imprópria (2T, 2015c, p. 69) seriam consideradas, no dia do juízo, como suicídio (FFD, 2004, p. 61). Ao abordar o ato em si, a autora avaliava que “a descuidada satisfação própria”, escrava da natureza carnal, torna as pessoas “tão cansadas da vida, que se suicidam” (MCP2, 2013, p. 726). Contudo, se a pessoa que está cogitando o suicídio “vier tal qual se encontra, desamparada e maculada pelo pecado, lançando-se junto à cruz […] existe ali um Salvador capaz de erguê-la” (Conduta sexual, 143).

Ao refletir sobre a complexidade do tema, Ángel Rodríguez (2004) destacou dois pontos fundamentais: (1) “a psicologia e a psiquiatria têm revelado que muito frequentemente o suicídio é o resultado de profunda revolta emocional ou bioquímica desestabilizada associada a um estado de depressão profunda e medo. Não devemos julgar uma pessoa que, sob estas circunstâncias, optam pelo suicídio”; e (2) “a justiça de Deus leva em consideração a intensidade de nossas mentes perturbadas; Ele nos compreende melhor do que qualquer outra pessoa”. Portanto, diante dos fatores físicos, psicológicos, sociais e espirituais que podem contribuir para que alguém tome a decisão de tirar a própria vida, deve-se tomar muito cuidado ao produzir materiais sobre o assunto.

Paula Fontenelle (2008) propõe algumas perguntas avaliativas para decidir se a morte voluntária deve ser publicada ou não: “(1) Por que divulgar o fato? É relevante?; (2) Que tipo de impacto a reportagem pode ter?; (3) Que espaço deve ocupar?; (4) Que tratamento merece?” (p. 226).

Orientações específicas sobre como os veículos de comunicação devem tratar essa questão são encontradas em documentos como Prevenção do Suicídio: Um manual para profissionais da mídia, publicado em 2000 pela Organização Mundial da Saúde. Em suma, na seção “o que fazer”, a OMS recomenda a: “(1) trabalhar em conjunto com autoridades de saúde na apresentação dos fatos; (2) referir-se ao suicídio como suicídio ‘consumado’, não como suicídio ‘bem-sucedido’; (3) apresentar somente dados relevantes, em páginas internas de veículos impressos; (4) destacar as alternativas ao suicídio; (5) fornecer informações sobre números de telefones e endereços de grupos de apoio e serviços onde se possa obter ajuda; e (6) mostrar indicadores de risco e sinais de alerta sobre comportamento suicida.”

Por sua vez, na seção “o que não fazer”, o documento aconselha a: “(1) não publicar fotografias do falecido ou cartas suicidas; (2) não informar detalhes específicos do método utilizado; (3) não fornecer explicações simplistas; (4) não glorificar o suicídio ou fazer sensacionalismo sobre o caso; (5) não usar estereótipos religiosos ou culturais; e (6) não atribuir culpas.”

 

Princípios editoriais

  1. Nossos materiais devem promover o conceito bíblico de que a vida é um dom divino, que o Senhor a promove e deseja proporcioná-la de modo pleno e que sua destruição não é uma atitude aprovada por Ele.
  2. Ao produzir materiais preventivos relacionados ao suicídio, deve-se tratar o assunto com o máximo de cautela possível. Assim, não há espaço para explicações simplistas, estigmatizadas, destituídas de uma discussão científica ou que de alguma maneira enalteçam o ato, quem decidiu tirar a própria vida ou atentar contra ela.
  3. Por outro lado, devem-se destacar recursos de apoio para quem luta contra esse pensamento, informações relevantes para discussão do tema e sinais que visam ajudar as pessoas a identificar essa intenção.
  4. A divulgação de algum suicídio em nossos veículos de comunicação deve, em primeiro lugar, ser discutida com o superior imediato responsável e, em consulta com ele, caso haja a intenção de publicar o fato, passar pelos seguintes critérios: relevância, impacto, extensão e abordagem.

 

Bibliografia

Fontenelle, P. (2008). Suicídio: O futuro interrompido. São Paulo, SP: Geração Editorial.

 

Organização Mundial da Saúde. (2000). Prevenção do Suicídio: Um manual para profissionais da mídia. Disponível em: <https://tinyurl.com/y463bs9k>.

 

Rodríguez, A. (2004). A Bíblia e o suicídio. Disponível em:  <https://tinyurl.com/y6ogqzj4>.

 

White, E. (2004). Filhos e Filhas de Deus. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2015b). Mensagens escolhidas (v. 2). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2013). Mente, caráter e personalidade (v. 2). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2015a). Orientação da criança. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2014a). Testemunhos para a igreja (v. 1). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2015c). Testemunhos para a igreja (v. 2). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2014b). Testemunhos para a igreja (v. 4). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2008). Testemunhos sobre conduta sexual, adultério e divórcio. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

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