Comunicação

Sexualidade

Imagem: Shutterstock

De acordo com as Escrituras, Deus criou homem e mulher, macho e fêmea, para viverem a sexualidade plena exclusivamente no contexto do casamento heterossexual, monogâmico e vitalício (Gn 2:18-25; Êx 20:14; Lv 18:20; Mt 19:5, 6; 1Co 6:13-20; 7:3-5; Hb 13:4). Quando vivida de maneira adequada, a sexualidade deve servir para celebrar o amor conjugal, sendo uma lembrança do pacto matrimonial estabelecido entre um homem e uma mulher (Pv 5:15-18; Ct). Assim, qualquer relacionamento íntimo pré-conjugal ou fora do casamento (Êx 20:14; Pv 6:32; Mt 5:27, 28), homossexual (Lv 18:22; 20:13; Rm 1:18-27; 1Co 6:9-11), incestuoso (Lv 18:6-18), com animais (Lv 18:23) e abusivo (Dt 22:25-27) é proibido pela Bíblia. Em diversos textos, a imoralidade sexual, expressão que engloba essas práticas mencionadas, é condenada sumariamente (Mt 5:31, 32; Gl 5:19-21; Ef 5:3; Cl 3:5; 1Ts 4:3).

Ellen White afirma o conceito bíblico de sexualidade e a considera uma bênção divina (2013, p. 124). Quando exercida nos limites apresentados pela Bíblia, trata-se de uma expressão do amor como “princípio elevado e santo” (ibid., p. 50). Por esse motivo, não há endosso da parte da autora para qualquer distorção do propósito estabelecido por Deus, como relacionamento íntimo pré-conjugal (ibid., p. 59, 60), adultério (2008, p. 98, 99), “paixões sensuais” ou práticas degradantes (2015, p. 381), e condutas sexuais depravadas, como vistas em Sodoma (2008, p. 120).

O tema é sensível na sociedade e, ao longo do tempo, a Igreja Adventista do Sétimo Dia publicou vários documentos oficiais tratando de diferentes pontos da questão. Uma declaração ampla, votada em 1987, abordou a decadência dos padrões sexuais da sociedade, quando comparados aos ensinamentos das Escrituras Sagradas. O documento (2005) indica que “sob a influência da paixão não refreada por princípio moral e religioso, a associação dos sexos tem, a uma extensão profundamente inquietante, se degenerado em licenciosidade e abuso que resultam em escravidão. Com a ajuda de muitos filmes, televisão, vídeo, programas de rádio e materiais impressos, o mundo está sendo conduzido a novas profundezas de vergonha e depravação” (p. 85).

Depois de apresentar as práticas sexuais contrárias ao padrão bíblico, a declaração termina dizendo: “Os degradantes resultados da obsessão desta era por sexo e a busca de prazeres sensuais estão claramente descritos na Palavra de Deus. Mas Cristo veio para destruir as obras do diabo e restabelecer o correto relacionamento dos seres humanos uns com os outros e com Seu Criador. Portanto, embora caídos e cativos do pecado, aqueles que se voltam para Cristo em arrependimento recebem pleno perdão e escolhem o caminho melhor, o caminho para a completa restauração” (ibid., p. 86).

Ao tratar do problema da pornografia, em 1990, a denominação afirmou em documento considerá-la “destrutiva, aviltante, insensibilizante e exploradora” (ibid.,, p. 69).

Oito anos depois, a Igreja Adventista, ao discutir sobre doenças sexualmente transmissíveis, apresentou implicações relevantes para a discussão referente à sexualidade. A declaração indicou que: (1) “A igreja afirma a visão bíblica de sexualidade como um atributo saudável da natureza humana criada por Deus, algo para ser desfrutado e usado de modo responsável no casamento, como parte do discipulado cristão” (ibid., p. 91); (2) “a igreja está comprometida em compartilhar a perspectiva bíblica da sexualidade humana de maneira intencional e culturalmente adequada” (ibid.); (3) “a igreja chama as pessoas a se consagrarem, diante de Deus, a uma vida de abstinência sexual fora do pacto matrimonial e à fidelidade sexual ao cônjuge” (ibid., p. 92); (4) e “Feridas emocionais e espirituais deixadas pela atividade sexual que viola o plano de Deus inevitavelmente deixam cicatrizes. Mas a igreja dá continuidade ao ministério de misericórdia e graça de Cristo, oferecendo o perdão, a cura e o poder restaurador de Deus” (ibid.).

Em 1999, a Associação Geral votou uma declaração referente à homossexualidade que afirmou três elementos importantes: (1) “A Igreja Adventista reconhece que cada ser humano é precioso à vista de Deus. Por isso, buscamos ministrar a todos os homens e mulheres no espírito de Jesus” (ibid., p. 51); (2) o “padrão heterossexual é confirmado em todas as Escrituras. A Bíblia não faz ajustes para incluir atividades ou relacionamentos homossexuais. Os atos sexuais praticados fora do círculo do casamento heterossexual estão proibidos” (ibid.); e (3) “os adventistas empenham-se por seguir a instrução e o exemplo de Jesus. Ele afirmou a dignidade de todos os seres humanos e estendeu a mão compassivamente a todas as pessoas e famílias que sofriam a consequência do pecado. […] Mas fez distinção entre Seu amor pelos pecadores e Seus claros ensinos sobre as práticas pecaminosas” (ibid.).

Diante do aumento da pressão social acerca da regulamentação da união entre pessoas do mesmo sexo, em 2004, a Igreja Adventista reafirmou sua posição referente ao modelo bíblico de matrimônio e família, conforme expresso na crença fundamental 23. A declaração oficial termina dizendo: “Acreditamos que todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual, são filhas de Deus. Não toleramos que qualquer grupo sofra escárnio ou ridículo, muito menos abuso. No entanto, é muito claro que a Palavra de Deus não aprova um estilo de vida homossexual; como a Igreja Cristã também não o aprovou, nos seus dois mil anos de história. Os adventistas do sétimo dia creem que o ensinamento bíblico ainda é válido hoje porque está ancorado na própria natureza da humanidade e do plano de Deus para o casamento na criação.”

Em 2017, respondendo à complexa questão do transgenerismo, a denominação votou uma “Declaração sobre Transgêneros” que, entre outros pontos, afirma: (1) “Deus criou o ser humano como duas pessoas que são respectivamente identificadas como homem e mulher em termos de gênero”; (2) “a partir da perspectiva bíblica, o ser humano é uma unidade psicossomática”; (3) “a Escritura reconhece, porém, que, devido à queda (Gn 3:6-19), o todo do ser humano, ou seja, nossas faculdades mental, física e espiritual, foi afetado pelo pecado (Jr 17:9; Rm 3:9; 7:14-23; 8:20-23; Gl 5:17) e necessita ser renovado por Deus (Rm 12:2)”; (4) “o fato de alguns indivíduos alegarem uma identidade de gênero incompatível com seu sexo biológico revela uma grave dicotomia. […] Embora a disforia de gênero possa não ser considerada intrinsecamente um ato pecaminoso, pode resultar em escolhas pecaminosas”; (5) “desde que os homens e mulheres transgêneros estejam comprometidos em ordenar sua vida de acordo com os ensinos bíblicos sobre a sexualidade e o casamento, eles podem ser membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia”; (6) “visto que a Bíblia considera os seres humanos como entidades integrais e não faz distinção entre sexo biológico e identidade de gênero, a Igreja veementemente adverte os homens e mulheres transgêneros contra a cirurgia de mudança de sexo e contra o casamento, se tiverem passado por esse procedimento”; (7) “a Bíblia ordena os seguidores de Cristo a amarem uns aos outros. Criados à imagem de Deus, todos devem ser tratados com dignidade e respeito. Isso inclui os homens e mulheres transgêneros”; (8) “aqueles que experimentam desajuste entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero são incentivados a seguir os princípios bíblicos ao lidar com sua angústia. […] Com todos os crentes, os homens e mulheres transgêneros são incentivados a esperar em Deus, e é-lhes oferecida a plenitude da compaixão divina, da paz e da graça, em antecipação da breve volta de Cristo, quando todos os verdadeiros seguidores de Cristo serão plenamente restaurados ao ideal de Deus.”

Considerando a quantidade de orientações bíblicas e denominacionais referentes ao tema sexualidade, é possível enunciar alguns princípios para o trabalho editorial.

 

Princípios editoriais

  1. Defendemos em nossos materiais o conceito bíblico de sexualidade, que implica sua vivência em um relacionamento matrimonial monogâmico, heterossexual e vitalício.
  2. Não promovemos produtos da indústria cultural que incentivem uma visão distorcida da sexualidade.
  3. Ao confrontar comportamentos sexuais contrários à orientação bíblica, reconhecemos a dignidade das pessoas que os defendem, mas, respeitosamente, defendemos nossa posição como parte de nosso compromisso com as Escrituras. Além disso, deixamos claro que há graça, perdão e restauração para todo aquele que renuncia a tais comportamentos e se compromete a viver de acordo com a vontade de Deus.
  4. Nossos materiais não devem incitar a violência ou qualquer forma de preconceito em relação a pessoas que vivenciem a sexualidade de maneira diferente daquela revelada nas Escrituras Sagradas.
  5. Ao divulgar matérias que incluam relatos envolvendo a sexualidade dos personagens, deve-se tomar o cuidado de preservar a identidade dos entrevistados por meio de recursos como pseudônimos, iniciais ou distorção da imagem. Esse procedimento deve ser observado mesmo quando a pessoa autoriza por escrito a revelação de sua identidade. Afinal, há outras pessoas envolvidas e o próprio entrevistado poderá sofrer preconceitos ou se arrepender mais tarde.

 

Bibliografia

Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (2005). “Comportamento sexual” (p. 85-86), em Declarações da Igreja. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (2005). “Doenças sexualmente transmissíveis” (p. 87-93), em Declarações da Igreja. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (2005). “Homossexualidade” (p. 51), em Declarações da Igreja. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (2005). “Pornografia” (p. 69), em Declarações da igreja. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista. (2017). “Igreja Adventista vota declaração sobre transgêneros”. Disponível em:  <https://tinyurl.com/yyxqxkrn>.

 

Kis, M. (2018). Sexualidade (p. 1300-1302). Em Fortin, D., & Moon, J. (eds). Enciclopédia Ellen G. White. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2008). Conduta sexual. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2013). O lar adventista. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

 

White, E. (2015). Testemunhos para a igreja (v. 2). Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

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