Serviço Voluntário Adventista

Diário Voluntário 2 – Rafaela Araújo

O que é ser missionário para você? Bom, para mim, eu confesso, que as primeiras imagens que me vinham a cabeça quando me faziam essa pergunta. Eram aquelas missões na África, Ásia e nos lugares mais “carentes” do nosso globo. Mas vou lhe contar uma coisa que aprendi aqui na Itália, eu aprendi que missão não é o lugar onde você está. A verdadeira missão tem que ser você, onde você estiver. Dando o melhor de si em tudo o que fizer.

Rafaela Araújo, voluntária no Villa Aurora

Rafaela Araújo, voluntária no Villa Aurora

Bom, a minha história começa em 2014. Eu estava cursando Administração de Empresas em uma faculdade em minha cidade, Jaú, no interior de São Paulo mas por causa das aulas às sextas-feiras tive de trancar a matrícula, pois por, mas que obtivesse nota nos exames, reprovava por não frequentar as aulas de sexta-feira e como era bolsista não poderia acumular tantas matérias como estava acumulando. Foi nessa época, que navegando na internet, encontrei o site do Adventist Volunteers, e fiz o cadastro. E desde aquele ano vinha tentando ser aceita em algum dos chamados. Até que, no meio do ano de 2015, vi um chamado que me chamou muita a atenção, era um chamado para o Peru, o projeto intitulado Salva Vidas Amazônia. Era tudo o que eu buscava dentro do meu conceito de missão, o projeto consistia em dar apoio, tanto físico como espiritual a população ribeirinha, era uma vaga na qual eu poderia usar meus dons para obra, pois a vaga era para assistente de contabilidade, atividade que tenho formação técnica e a qual desenvolvi durante toda a minha experiência profissional e que sabia que a fazia bem. Eu estava bem confiante de que aquele era o plano de Deus para mim, pois estava dando tudo muito certo, já estava conversando com o coordenador do projeto por e-mail para saber detalhes, até que alguns dias antes de receber a resposta definitiva, recebi um e-mail do coordenador, dizendo que o voluntário que já estava nesta vaga havia resolvido ficar, por isso a vaga não estava mais disponível. Foi nesse momento que questionei a Deus, do motivo para não ter dado certo, já que para mim eu tinha certeza que aquele era o meu chamado. Foi nesse momento também, que eu decidi deixar de lado essa “ideia” de ser voluntária, pois eu havia, supostamente, entendido o recado de Deus, de que era para eu ficar onde estava. Até que, em maio de 2016, como uma resposta para os meus questionamentos, eu recebi um e-mail dizendo que minha aplicação havia sido aceita na universidade aqui na Itália, o Villa Aurora College.

Rogerio, Lilian, Bruno, Rafaela e Marcia (voluntária no ano de 2015/2016 no Villa Aurora)

Rogerio, Lilian, Bruno, Rafaela e Marcia (voluntária no ano de 2015/2016 no Villa Aurora)

Minha chegada aqui foi em setembro de 2016 e de lá para cá posso dizer que tenho crescido e aprendido muito. Ainda que tenha passado por situações muito difíceis aqui, como um problema de saúde que ainda não está completamente resolvido, uma cirurgia, passar 16 dias internada no hospital com dificuldade na comunicação por causa da barreira da língua, estar passando por uma recuperação mais complicada e longa que o esperado, tudo isso com o adicional da saudade de estar longe de casa e da família. Teve momentos, principalmente os momentos que antecederam minha operação, em que o que eu mais queria eram meus pais comigo, mas um oceano separava a gente…

Foto tirada no hospital - Bruno, Richard, Lilian, Rogerio, Karin e Rafaela.

Foto tirada no hospital – Bruno, Richard, Lilian, Rogerio, Karin e Rafaela.

Eu ainda não sei, exatamente a razão para Deus me trazer aqui, pretendo descobrir nos próximos meses, mas se meu período de voluntariado for isso e o que mais marque minha experiência aqui, forem estes momentos, eu ainda irei  agradecer a Deus por ter me trazido até aqui e por ter me permitido viver esta experiência. Pois foi com ela que aprendi que sou mais forte do que imagino e que cresci muito, tanto pessoal como espiritualmente. Foi nesse momento difícil também, que conheci o verdadeiro valor de se ter amigos, e conheci pessoas que tenho certeza que vou levar para sempre comigo, tenho conhecido lugares incríveis, experimentado novos sabores de uma nova cultura, aprendido uma nova língua, assim como desenvolvido minhas habilidades gestuais que são bem úteis na comunicação quando não sei quando dizer uma palavra, e ensinado português a muita gente mesmo sem perceber. E quer saber? Sim, posso dizer que apesar dos pesares, minha experiência tem sido incrível aqui, e não me arrependo nem por um milésimo de segundo de ter aceitado viver essa experiência.

Sorvete em San Gimignano, eleito o melhor do mundo

Sorvete em San Gimignano, eleito o melhor do mundo

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